As Máscaras da Tragédia e da Comédia
A
comédia é o uso de humor nas artes cênicas. Também pode significar um
espetáculo que recorre intensivamente ao humor. De forma geral,
"comédia" é o que é engraçado, que faz rir.
No surgimento do teatro, na Grécia, a arte era representada,
essencialmente, por duas máscaras: a máscara da tragédia e a máscara da
comédia. Aristóteles, em sua Arte Poética, para diferenciar comédia de
tragédia diz que enquanto esta última trata essencialmente de homens
superiores (heróis), a comédia fala sobre os homens inferiores (pessoas
comuns da pólis). Isso pode ser comprovado através da divisão dos júris
que analisavam os espetáculos durante os antigos festivais de Teatro, na
Grécia. Ser escolhido como jurado de tragédia era a comprovação de
nobreza e de representatividade na sociedade. Já o júri da comédia era
formado por cinco pessoas sorteadas da plateia.
Porém, a importância da comédia era a possibilidade democrática de
sátira a todo tipo de ideia, inicialmente política. Assim como hoje, em
seu surgimento, ninguém estava a salvo de ser alvo das críticas da
comédia: governantes, nobres e nem ao menos os Deuses (como pode ser
visto, por exemplo, no texto As Rãs, de Aristófanes).
Hoje a comédia encontra grande espaço e importância enquanto forma de
manifestação crítica em qualquer esfera: política, social, econômica.
Encontra forte apoio no consumo de massa e é extremamente apreciada por
grande parte do público consumidor da indústria do entretenimento.
Assim, atualmente, não há grande distinção entre a importância artística
da tragédia ou da comédia. Em defesa do gênero, o crítico de artes
Rubens Ewald Filho lembra o ditado: "Morrer é fácil, difícil é fazer
comédia". De fato, entre os artistas, reconhece-se que para fazer rir é
necessário um ritmo (conhecido como timing) especial que não é dominado
por todos.
É difícil analisar, cientificamente, o que faz uma pessoa rir ou o que é
engraçado ou não. Mas uma característica reconhecida da comédia é que
ela é uma diversão intensamente pessoal. Para rir de um fato é
nescessário re/conhecer (rever, tornar a conhecer) o fato como parte de
um valor humano - os homens comuns - a tal ponto que ele deixa de ser
mitológico, ameaçador e passa a ser banal, corriqueiro, usual e pode-se
portanto rir dele. As pessoas com frequência não conseguem achar as
mesmas coisas engraçadas, mas quando o fazem isso pode ajudar a criar
laços poderosos.
Uma das principais características da comédia é o engano.
Frequentemente, o cómico está baseado no facto de uma ou mais
personagens serem enganadas ao longo de toda a peça. À medida que a
personagem vai sendo enganada e que o equívoco vai aumentando, o público
(que sabe de tudo) vai rindo cada vez mais.
